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10 novembro, 2008

Top Ten do Cartoon

Os 10 melhores desenhos animados da história. Sob minha humilde visão, é claro!

Caverna do Dragão




Thundercats




Os Simpsons




Megas XLR




Snoopy




Liga da Justiça




Superamigos




As Meninas Super Poderosas




O Fantástico Mundo de Bob




Transformers




Doug




CatDog




Animaniacs




Gi-Joe




Tiny Toon




Eu juro que o propósito era selecionar os 10 melhores, porém achei 15 e não consegui eliminar nenhum deles.

Portanto, este é o único Top Ten com 15 itens!!

05 novembro, 2008

Sinal de um mundo novo??


Em uma tarde qualquer de 1789, George Washington caminha em um dos corredores da Casa Presidencial quando é parado por um de seus guardas.
- Presidente, esta noite sonhei que um negro governava os EUA. – contava o soldado todo empolgado.
- Um negro? – questionou o presidente.
- Sim senhor. E antes disso ele era advogado e senador.
George Washington olhou para os outros guardas e apontando o dedo em riste para o soldado sonhador, gritou:
- Prendam este maluco!

31 outubro, 2008

Jujubas Verdes


Aqui, no sul do Brasil, nos quatro meses que são abrangidos pelo verão, onde a maioria da população goza de suas merecidas férias, tem-se o costume de abandonar as cidades e rumar, como num êxodo, para o litoral num período, localmente, denominado por “veraneio”, e o ápice desse fenômeno migratório dá-se nos meses de janeiro e fevereiro.


Veranear é quase como uma obrigação para a classe proletária, que passa os oito meses restantes planejando a viagem, a estada, calculando as finanças, organizando tudo nos ansiados dias que passarão de papo pro ar, somente com o mar por testemunha.


O mar! Ah, o mar. Esse é o mais esperado pelos veranistas que, dias antes, chegam a sonhar que já estão invadindo aquela imensidão da água.


O sol, a areia sob os pés, o futebol na beira da praia (por parte dos homens), os bronzeamentos conseguidos com o “sol das onze”(por parte das mulheres), até mesmo a pele descascando no final da vacância são muito bem vindos neste intervalo de solstício de verão.


E foi num desses veraneios da vida que o Glauco conheceu a Júlia.


Sentado embaixo de um guarda sol, de óculos escuros, olhos fechados, entre ele e a África só o mar (gostava de pensar assim quando estava na beira da praia), no estado entre o acordado e o sono, vulgo madorna, foi despertado por uma bolinha de frescobol batendo em seu abdômen. Assustado, quase caiu. Pegou a maldita bolinha e ia atirar longe, com toda a raiva, quando em sua direção vinha uma loira, cabelos levemente cacheados, olhos verdes, pele amorenada de algumas semanas de bronzeamento, a marquinha do biquíni em evidência, corpo escultural e um sorriso desarmador. Era Júlia.


A mão esticada de Julia pedia a bolinha que foi entregue seguido de um obrigado, pronunciado com voz angelical. Glauco agradeceu também, não a ela, mas ao mundo, ao destino por ter colocado aquele exímio espécime do sexo feminino à sua frente.


Glauco ficou ali durante horas, estático, só observando aquela Vênus de Milo que se mexia, sentindo-se o próprio Yorgos.


Não sabe ao certo quanto tempo se passou até o momento que ele mesmo intitula de “o encontro” acontecer. “O encontro” ocorreu quando cansada de jogar o frescobol com seu sobrinho, Julia olhou em volta com o propósito de perguntar as horas e mirou Glauco. A passos lentos e cadenciados chegou perto e perguntou-lhe. Glauco, ainda abobalhado, disse que não tinha relógio. Ela sorriu. Ia movimentando-se para achar alguém que lhe pudesse dar a informação quando ele disse que era a hora certa. “Hora certa para quê, extamente?”, perguntou ela intrigada. Hora certa para conversarmos, respondeu.


Normalmente, ela iria embora, pois se tratava de mais uma cantada barata, todavia não o fez. Ficou.


Apresentaram-se. Ela dispensou o sobrinho. Ele tratou de começar a falar. Ela sentou-se à sua frente, entre ele e o mar. Entrosaram-se rapidamente, estavam na mesma faixa etária. Ele um pouco mais velho. Ela muito esperta. A idade dele compensava a maturidade dela. E vice-versa. Igualavam-se.


Estava ficando tarde. Marcaram para o dia seguinte, no mesmo local. Cedo, bem cedo.


E assim foi nos dias que se passaram. Encontros, conversas a beira mar. Entre ele e o mar só Julia (gostava de pensar assim quando estava com ela em frente ao oceano, pois ela sempre sentava à sua frente).


Ele tinha encontrado a perfeição. Ele de touro. Ela de escorpião. Completavam-se sexualmente, disse ela, sem pudor.


Ambos amavam cinema. Concordavam nos gêneros de filmes.


No futebol, torciam para o mesmo time, fanáticamente. Quase choravam, ao lembrar de façanhas passadas do time do coração.Faziam faculdades diferentes. Ele, Letras. Ela, Administração. Mas eram da área das humanas.


Na gastronomia o consenso era lasanha e o velho e bom churrasco de domingo.


Ele conversava com ela sobre escova progressiva. Ela conversava com ele sobre quadrinhos.


E assim passaram a por muitos assuntos desde astronomia até a novela das oito. Concordavam em tudo. Tudo mesmo.


Um dia, como de costume, no fim do veraneio, quando andavam de mãos dadas, felizes, passou um menino vendendo jujubas. Julia quis. Glauco comprou.


Abriu o pacote e ofereceu a primeira a ele. Glauco não quis. Ela perguntou se ele não gostava. Ele disse que adorava, com exceção das verdes. Ela parou no meio da rua, estupefata. Ele perguntou o que houvera. Ela disse que amava jujubas verdes. Ele disse que não suportava. Ela esbravejou e saiu pisando firme.


Nunca mais se falaram.


Ela não atendeu seus telefonemas, não respondeu seus e-mails e nem suas mensagens.


Nos os veraneios seguintes, Glauco foi para a beira da praia com um caixa de jujubas. Come só as verdes, à contra gosto, mas come, na esperança de reencontrar Julia, jogando frescobol à sua frente, até porque entre ele e o mar não há mais ninguém.

30 outubro, 2008

Perdoai-vos! Eles não olham a contracapa


Como um conformado proletário que sou, dependo de ônibus. E não pode ser qualquer tipo de ônibus.

Tem que ser daqueles transbordando, expelindo gente, como um nariz ranhento em pleno terceiro dia de gripe. Daqueles que em cada parada, desce um e sobe oito. Os passageiros respiram em compasso, pois não há espaço para expirações aleatórias ou bocejos.

Preparava-me psicologicamente para acotovelar-me com os demais 136 transeuntes ali, que esperavam coincidentemente o mesmo coletivo que eu, quando olhei para o lado e vi, uma bela estudante, empunhando seus livros.

Até aí normal. Horário de saída de escola, ônibus, estudante. Porém um fato chamou-me a atenção: Nas mãos da estudante havia dois livros e na contracapa deles havia o hino nacional impresso.

Sim. Nos dois! Eu vi. Estava escrito “Hino Nacional Brasileiro” em letras garrafais e em negrito.
Foi então que o ônibus chegou. Ela subiu. Junto com ela mais quatro meninas. Todas com seus livros didáticos na mão.

E pasmem! Todos tinham o Hino impresso na contracapa.

Saí do acotovelamento e sentei-me em um dos bancos ali perto para observar a turba de estudantes que passavam ali naquele horário.

Fiquei estático durante um tempo que não sei precisar e nesse ínterim só apertava os olhos para ver se todos os livros tinham o hino impresso.

E tinham.

Há um tempo atrás, vi em um programa na TVE (sempre gostei dos programas da TVE, desde pequeno) que entrevistava pessoas na rua para ver se elas sabiam cantar o Hino Nacional corretamente. Foram vários. E só um cantou correto, por que era militar.

Passei seis anos no quartel e uma das boas coisas que aprendi por lá foi cantar hinos. Aprendi uns 254 hinos diferentes nas aulas de canto. Desde o hino da minha cidade até o “Cisne Branco”.

Lembro que uma das aulas mais interessantes que tive na escola foi quando tivemos que interpretar o texto do Hino Nacional. Foi fantástico. Naquele dia fiquei conhecendo o significado de palavras como: fúlgidos, florão e lábaro.

Não consigo entender por que o brasileiro tem a dificuldade com o hino brasileiro, se ele está impresso na contracapa dos livros didáticos.

Será que ninguém olha a contracapa?

Ou será que ninguém dá bola para as coisas do país?

Os alunos brasileiros carregam os livros por obrigação e não por vontade de aprender.

É uma utopia querer que um jovem de 16 anos saiba o hino nacional corretamente, afinal ele tem coisas mais importantes a fazer, tais como ficar no celular, no MSN, Orkut...desculpe, mas não pude segurar a ironia.

Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta.

Será?

Subi no ônibus, não liguei para os cotovelos, cerrei minha cara em uma das janelas e fui, infausto.

28 outubro, 2008

Sidaction

Camapanha francesa contra a AIDS.



Sensacional a criatividade!!!

26 outubro, 2008

Segundo turno

Domingo, 26 de outubro de 2008.



Geraldo abriu os olhos, sentiu a luminosidade proveniente da janela semi-aberta cegar-lhe, momentaneamente. Esfregou-os veementemente enquanto bocejava e espreguiçava-se. Afastou o lençol, sentando-se na cama. Olhou para a fresta da janela e percebeu a chuva que castigava a cidade desde o dia anterior continuava sem trégua. O desânimo que o acompanhara durante toda a semana ainda o dominava.


Levantou, finalmente, cambaleando entre a desordem de seu quarto-sala, rumando ao banheiro para aliviar a bexiga.


Enquanto deixava sua urina escorrer privada abaixo, pensava que além de todas as desgraças que estava passando tinha que exercer seu dever de cidadão. Tinha que votar.


Cidadão??? Será que a sociedade ainda o considerava um cidadão?


Desempregado há muitos meses, vivendo da boa vontade alheia e de “bicos” que esporadicamente apareciam. Nada na sua área de trabalho. Tinha que comer, então fazia o que aparecia. Tinha que comer. Fato.


Pensou enquanto lavava as mãos. Olhou ao redor e notou a deterioração do seu banheiro. Paredes descascadas, cano d’água sem chuveiro, descarga quebrada, odor fétido de urina choca. Aquilo não era um local digno para um ser humano viver.


Saiu daquele ambiente inóspito e retornou ao quarto-sala tão degenerado quanto o outro. Abriu a geladeira. Só água. Debruçou-se sobre a porta do eletro doméstico, suspirando. Não havia solução. E o pior é que ainda tinha que votar.


Votar??? Para quê votar? Resolveria seus problemas?


Todas as vezes que exerceu a “democracia” a coisa só parecia piorar. No início, ele tinha esperanças de que poderia mudar o rumo do país, que as coisas poderiam melhorar, que os pobres poderiam viver com dignidade, alimentando-se pelo menos três vezes por dia.


Algumas vezes pareceu que a coisa andaria. Mas nada disso ocorreu. Tudo só piorou.


Fechou a porta da vazia geladeira e girando nos calcanhares foi até uma pilha de roupas. Colocou a primeira camiseta que parecia limpa e uma calça jeans surrada. Calçou o tênis quase sem sola e voltando ao fétido banheiro, jogou uma água nos cabelos e no rosto. Olhou-se no espelho e teve a visão da derrota. Viu a sua face, desfigurada, olheiras profundas, barba por fazer de alguns dias e um olhar perdido, como se não estivesse mais neste mundo.


Ficou alguns minutos encarando-se. Lembrou-se de um Geraldo diferente, com esperanças, com vida, com entusiasmo. Um Geraldo que fazia acontecer, que não se entregava diante de uma dificuldade.


As lágrimas que escorreram de seu rosto, fundiram-se com a água recém derramada na pia amarelada.


As coisas não poderiam mais continuar assim. Não mesmo.


Sem secar o rosto e os cabelos, iniciou uma procura incessante nas poucas gavetas que havia no recinto adjacente. Jogava objetos ao chão, movia-se com rapidez. Na segunda gaveta encontrou o que procurava. Seu título de eleitor. Tinha deixado ali após votar no primeiro turno.


O pequeno documento repousava no fundo da gaveta de um velho móvel. Estava um tanto quanto amassado, porém legível.


Ameaçou fechar a gaveta e com o movimento de empurrá-la um pequeno objeto rolou do fundo para a borda da gaveta fazendo com que Geraldo interrompesse seu movimento inicial. Era metálico e cilíndrico. Pegou-o e identificou: um projétil.


Ao manusear o pequeno projétil, lembrou de onde ele viera.


Em um de seus vários momentos de desespero a procura de emprego, Geraldo encontrou um de seus amigos de infância. Esse amigo utilizava meio ilícitos para ganhar a vida e convidou Geraldo a entrar em um assalto com ele, prometendo ganhos fáceis e rápidos.


O desespero falou por Geraldo que aceitou na hora.


Seu amigo depositou-lhe uma arma em uma das mãos e alguns projéteis na outra.


Na noite que se daria o delito, Geraldo foi tomado de uma crise de choro e desistiu a tempo, porém nunca mais voltou para devolver a arma. Escondeu a arma em cima do guarda roupas com o intuito de um dia entregar.


Interrompeu as reminiscências enfiando a mão mais ao fundo da gaveta e colhendo mais três projéteis. Correu para o guarda roupas e tateou-o até achar a arma de fogo que ali estava.


Com ela na mão, teve uma idéia.


Sorriu, mostrando os dentes amarelados, e começou a balbuciar sozinho enquanto municiava aquela que seria o personagem principal de seu plano. Quando terminou, colocou-a na cintura, na parte de trás das calças, o título de eleitor no bolso e saiu, batendo a porta atrás de si.


Votava em uma escola, não muito longe de sua morada, por isso resolveu ir a pé, pois caminhar sempre lhe fez pensar. Pensou, pensou e esquematizou como faria tudo. Não tinha erros. Ele salvaria o país com seu ato.


A fila estava pequena e a cada pessoa que entrava o frio na barriga de Geraldo aumentava.


Enfim, sua vez chegou.


Entrou. Tirou o título do bolso e mostrou ao mesário. Este conferiu e passou para a presidente de mesa. Foi aí que Geraldo notou a presença de Alice.


Alice foi sua namorada durante muito tempo. Geraldo terminou o namoro por não se achar digno do amor de uma moça tão trabalhadora, enquanto ele definhava na inutilidade.


A moça nunca se conformou e vez por outra o ajudava quando a dificuldade era muita.


Fazia muito tempo que Geraldo não a encontrava e agora ela estava ali como presidente de mesa da sua seção. No local onde ele escolheu para colocar seu plano em ação. Mas ele não poderia recuar. Não iria recuar.


Ela o cumprimentou e disse que ele já poderia votar.


Passo a passo, Geraldo caminhou em direção ao biombo. Olhou para a urna eletrônica, digitou os números do primeiro candidato. Olhou a foto da cara deslavada na foto. Cancelou. Digitou os números do segundo candidato. Novamente olhou a foto com desdém. Cancelou outra vez.
Digitou dois números aleatórios, pensando anular o voto. Cancelou mais uma vez.


Debruçou-se sobre a urna, abraçando-a. Ergueu a caixa eletrônica e retirou a arma da cintura.


Com uma das mãos agarrou a urna e apontou a arma para ela como se fosse um refém.


Saindo de trás do biombo, alternava a mira da arma entre a urna e os mesários, ordenando que saíssem da sala.


Dois deles saíram correndo, prontamente, porém Alice ficou estática, olhando para Geraldo.


- Vai Alice! – gritava Geraldo.
-Não sei o que tu está tramando Ge, mas não vou te abandonar. – respondia Alice, ainda pasma.
- Então tranca a porta e fecha todas as janelas! – dizia Geraldo a sua nova aliada.


Alice obedeceu prontamente.


Os mesários que correram em segundos espalharam a notícia que havia um homem dentro da seção e que tinha feito Alice de refém.


Em mais alguns segundos, a história já havia se espalhado mais e ainda houve quem aumentasse. Inevitavelmente o que chegou aos ouvidos da policia é que Geraldo não tinha suportado o rompimento do namoro entre ele e Alice e que a tinha feito de refém.


Minutos depois a votação ali tinha sido paralisada, o colégio evacuado e um cerco à sala já estava feito. E um negociador tinha sido colocado em contato com o celular de Alice, pois Geraldo não possuía um.


Enquanto o burburinho estava sendo feito do lado de fora, Geraldo explicava a Alice seu plano:


- Ge, o que tu está querendo com isso tudo? – perguntou Alice.
- Estou fazendo uma urna de refém, Alice, para ver se consigo chamar a atenção dos governantes desse país para as barbáries cometidas para com o povo. – respondia Geraldo, ofegante.
- Mas tu acha que vai dar certo isso? – questionava a moça, agachada junto a ele, num canto da sala.
- Sei lá, Alice, mas vou tentar. Tenho que tentar.


O celular de Alice tocava.


- Alô. – atendeu Geraldo.
- Alô. Geraldo?
- Isso. Isso mesmo.
- Meu nome é Celso. Sou da polícia e estou aqui para facilitar.
- Que bom Celso. Pois não quero ter que atirar nela. – dizia Geraldo apontando para a urna.
- Não será necessário, Geraldo. É só me dizer quais as suas condições para deixá-la sair.
- Quero um repórter com uma câmera de TV.
- Só isso? Se conseguirmos isso depois você a deixa livre?
- Deixo.
- Então ta. Vou providenciar.


Desligaram.


Celso virou-se para o comandante do batalhão e disse:


- Ele quer um repórter com uma câmera de TV para libertar a moça.
- Então, vamos dar o que ele quer. – disse o Comandante, chamando seu melhor atirador.


Geraldo estava excitadíssimo e contava sobre a conversa com o policial para Alice:


- Vou conseguir Alice!
- Geraldo, tu não pensa que vai ser preso por isso?
- Que nada, é só uma urna eletrônica...aliás, eu não sabia que eles davam tanta importância para uma urna.
-Pois é, nem eu...
- Mas não importa, posso até ser preso, mas vou aparecer nos telejornais de todo o país, manifestando minha indignação com a situação do país. – dizia Geraldo olhando para um horizonte que acabava ali na parede.


Duas horas depois, o celular de Alice toca novamente.


- Alô. - atendeu Geraldo.
- Geraldo, é o Celso novamente. Conseguimos seu repórter.
- Ótimo. Mande ele sozinho, somente com a câmera.
- Mandaremos.


Desligou.


Uma batida na porta.


Geraldo posicionou-se atrás do biombo com a urna. Alice quis ficar junto a ele.


Segunda batida na porta. Uma voz grita lá de fora:


- Ei, sou o repórter!
- Entre, mas sem gracinhas senão meto uma bala nela!
- Ok. Ok. Onde fico?
- Pode ficar aí mesmo...- disse Geraldo apontando a arma para um canto da sala.


Geraldo ia começar o discurso quando o repórter disse:


- Aí atrás deste biombo não tem luminosidade suficiente para gravar.
-Mas é aqui que vou ficar.
- Ali perto da janela é melhor. – disse o repórter.
- Não banque o engraçadinho! – gritou Geraldo.
- Só quero pegar mais luminosidade...
- Conheço muito bem esse papo...tu é policial disfarçado!
- Não! Não sou!
- É agora que vou meter uma bala nela!


Ao escutar isso o atirador disfarçado disparou a arma que estava camuflada na câmera, atingindo em cheio a cabeça de Geraldo, espirrando sangue em Alice que estava ao seu lado.


Alice gritou ao ver o corpo inerte de Geraldo ali caído e partiu pra cima do policial, soqueando a esmo como um movimento de desespero, gritando:


- Ele só queria falar o que sentia! Ele só queria falar o que sentia!
- Mas ele ia matar você! – dizia o policial segurando as mãos de Alice.
- Não! Ele ia meter uma bala na urna. – disse Alice aos prantos.
- Na urna???
- Sim...

***




Segunda-feira, 27 de outubro de 2008


Manchete de um jornal importante no dia seguinte:


Polícia mata seqüestrador e evita uma tragédia.


Mais um seqüestro passional foi registrado ontem, porém este teve um final menos trágico graças à ação da policia.


O seqüestrador foi abatido por um atirador disfarçado no momento em que ia atirar em sua refém.


A ação foi feita devido aos erros recentes da polícia em negociações de seqüestros.


Geraldo Santos, não suportando o término do namoro, resolveu seqüestrar Alice Ávila que estava trabalhando no segundo turno das eleições. O rapaz descobriu onde ela estaria e planejou tudo antecipadamente.


Alice Ávila não foi ferida e desmente a versão da polícia dizendo que Geraldo seqüestrou uma urna eletrônica para ter a atenção da mídia, pois queria protestar contra os governantes com relação à situação do país.


Especialistas dizem que é normal a vítima inventar esta história absurda devido à Síndrome de Estocolmo, mal que atinge as vítimas de seqüestros.

25 outubro, 2008

Os meus favoritos


Há alguns meses atrás só de ouvir a palavra “blog” uma repulsa tomava conta de mim, instantaneamente. Hoje, sou um aficionado por eles. Não há sequer um dia que nos os leia, que não os procure, que não deixe neles meus parcos comentários. Desando a ler os mais variados tipos e gêneros, sem preconceitos, com uma técnica que é um pouco incomum: Leio o primeiro, olho os blogs indicados e aproveito o link com o título mais interessante e assim vou indo incessantemente até as vistas cansarem ou acabar em um blog sem links (???).


Apesar de ser um leitor desenfreado de blogs alheios, chegando até eles casualmente, existem aqueles que acompanho assiduamente, diariamente, religiosamente. E são esses que destaco logo abaixo, com uma breve descrição de cada:



Delírius Tremens – Escrito por Julio César. É um blog de alto nível de humor, sarcasmo e ironia. Abrange tanto assuntos atuais quanto reminiscências.
Há que se ressaltar o ótimo nível textual. O imperador, como ele se autodenomina, é muito melhor que muitos redatores de programas humorísticos que vemos na televisão.


Dulce Malagueta – Escrito por Lih Marques. Blog que trata de assuntos variados com crônicas, músicas e poesias, porém sempre com uma mensagem para o dia-a-dia, muitas vezes subentendida.
A jornalista apresenta também um excelente feeling para artes, dando indicações de shows, peças de teatro, vernissages, entre outros.


Duo blog – Escrito pela dupla Dino e Diva. Os mais variados assuntos são abordados neste blog que tem a crônica como predominância. Dino trata dos assuntos com uma dose de humor, não deixando a crítica de lado enquanto Diva dá um toque de doçura aos textos.
A excelente escrita há que ser ressaltada, além da integração entre os integrantes que mostram que pode ser mantido um blog a quatro mãos.


O buraco – Escrito por Gabriel Bedin Slevisnki. Blog com uma proposta muito interessante, pois o autor divide-se em três alter egos para exprimir suas emoções.
Os três alternam-se na postagem, variando entre contos, crônicas e poesias. Todos de muita criatividade.


Palavras de um mundo incerto – Escrito por Marcos Seiter. Blog voltado para poesias em geral de sua autoria.


Catapop! – Escrito por Mestre Chang e The Batman. Blog que aborda as atualidades do mundo dos quadrinhos, cinema e música. Excelentes textos desenvolvidos pela dupla, sobretudo as sinopses.


Idéias largadas – Escrito por Lu. Pensamentos, devaneios, loucuras do cotidiano de uma blogueira inveterada.


Inventário do irremediável – Escrito por Juliane Wëlter. Citações, tiradas e situações muito bem flagradas e colocadas com uma dose de humor e/ou ironia.



Falando dos gaúchos - Escrito por vários colunistas. Blog voltado para os acontecimentos do RS, com ênfase no futebol.


Ressalto que a grande maioria dos blogs aqui indicados são de pessoas que nunca vi e até nem mantenho contato e que também não estou lucrando nada com isso.

Espero ter ajudado com estas indicações para os blogueiros de plantão que vivem a procurar algo de qualidade para ler enquanto estão na sua vida virtual.

23 outubro, 2008

Neologismo???


Como se já não bastasse o desacordo ortográfico na nossa querida e amada língua portuguesa, ando deparando-me com expressões e palavras que minha retina desconhece e meus tímpanos reverberam quando proferidas por alguns dos assassinos dessa que um dia foi a mais bela das falas e escritas.

E o pior de tudo é que vez por outra, distraidamente, flagro-me falando ou escrevendo tais heresias etimológicas.

Estaria eu exagerando?

Seria o neologismo da nova era lusófona?

Exemplificar-lhes-ei, ó leitores:



· Findi – Substantivo masculino que determina os dias do final da semana (sábado e domingo). Um dia foi “Fim de semana”.

Exemplo prático: Vamos para a praia no findi???



· Níver – Substantivo masculino que determina o dia que se faz anos. Começou sua abreviação com “Aníver”. Corruptela de “Aniversário”
Exemplo prático: O níver da Paulinha tava show!



· Namo – Substantivo de ambos os gêneros que determina aquele a quem se namora. Varia-se apenas o artigo para determinar o gênero. Ainda podemos ter variáveis como: Namor ou namors. Corruptela de namorado (a).

Exemplo prático: Tua namo ta uma gata hoje.



· Se pá – Expressão adjetiva que exprime dúvida, acaso ou possibilidade. É utilizado como talvez, quem sabe, pode ser. Etimologia desconhecida.

Exemplo prático: Se pá iremos à festa.



· Vc – Pronome de tratamento. Essa corruptela teve muitas variações. No início do século XVI era conhecida como Vossa Mercê, logo após Vosmercê, Vasmicê, Vance e finalmente você. É aplicada no internetês.


· Putz – Interjeição. Utilizada para expressar diversas situações. Corruptela de puta merda ou puta que pariu.
Exemplo prático: Putzzzzz!!



· Bjus – Plural do substantivo masculino que determina o ato de tocar com os lábios em alguém, ou algo, fazendo leve sucção. Corruptela de beijos. Também utilizado no internetês admitindo muitas variáveis, tais como: bjuxx, bjuzzz, bjos, bejos, bjokZ...
Utilizado também para se despedir, ao invés de um simples tchau.


Se pá, vejo vcs no findi. Bjus.

15 outubro, 2008

Blog Action Day 08 - Poverty


Ei, você!

É, você mesmo que está comprando esta roupa linda, nesta loja caríssima, que no almoço transbordou seu prato de comida e só ingeriu um terço dela, que desfila com seu carro do ano pelas avenidas de sua cidade, que passa os finais de semana na sua casa no litoral, que coleciona pares e mais pares de sapatos, que dedica muitas horas do dia à sua beleza exterior, que quando criança teve os melhores brinquedos, que na adolescência teve suas vontades satisfeitas, que não teve dificuldades para completar os estudos, que possui uma conta bancária com muitos zeros à direita, sabe o que é sobreviver com apenas R$ 6,82 por mês????????

Pois é essa a quantia equivalente que vive uma família de seis pessoas na África.

Onde fica sua consciência?

A pobreza é cruel, porém ela não será vencida se continuarmos pobres de espírito.




Este post faz part da campanha Blog Action Day 08 - Poverty

14 outubro, 2008

Blog Action Day


Participe do Blog Action Day 2008. Clique no azul e saiba como.

09 outubro, 2008

Visitinha inesperada

Dê uma arruamda na sua sala de estar, pois poderá receber uma visitinha na terça-feira que vem.

Uma mensagem supostamente enviada por extraterrestres, que está sendo divulgada em vídeos na web, anuncia a vinda de uma nave espacial à Terra no dia 14 de outubro. Pasmem! Eles agendam a visita!

A mensagem extraterrestre, que teria sido "canalizada" pela australiana Blossom Goodchild, anuncia a presença de uma nave-mãe sobre o Hemisfério Sul e a partir de 14 de outubro, por um período mínimo de três dias, portanto fique de olho no céu e depois marque uma massoterapeuta, pois a dor no pescoço será enorme.

Blossom, que se define como "um meio profissional de canalização direta trabalhando com energias cósmicas e espirituais", diz ter contato com a entidade "Federação de Luz", a quem é creditada a mensagem, desde 2007.

O anúncio "ditado" pelos seres cósmicos da entidade foi feito em 1º de agosto e enviado por e-mail pela australiana a 128 pessoas, segundo ela mesma.

A notícia se espalhou pela Internet e logo foi postada em forma de vídeo no YouTube. Assista-o abaixo:



Na dúvida, deixei minha roupa de domingo limpa e passada e pedi para minha mãe fazer biscoitos de polvilho.

Disseram-me que os ET´s gostam muito desses biscoitinhos.

08 outubro, 2008

2º Portopoesia



Teve início neste dia 6 o 2º Portopoesia, onde acontecerão apresentações livre, debates, espetáculos de poesia, leituras de poemas, oficinas, shows e muito mais.

Embora não me considere um poeta, vez por outra escrevo umas linhas, todavia admiro muito quem o faz bem.

O Portopoesia tem um blog, no qual possui um espaço chamado "varal virtual", onde poetas, anônimos ou não, enviam seus poemas para serem postados. E este que vos escreve não poderia deixar de enviar suas mal traçadas linhas para o supracitado espaço, né?. E não é que eles postaram??

Confira aqui ó o poema postado, intitulado "Taprobana", ou simplesmente leia-o abaixo:






Taprobana



Sorte, revés

Ao invés de lembrar

do côncavo e convexo

prefiro regozijar momentos

de quando te saboreio sem nexo

Cornucópia de variadas frutas

com o suspirar das virgens

e o sarcasmo das prostitutas

És ígnea, insígnia da luxúria

Verso, reverso do esmorecer

És ilha no mar do descaso

Taprobana do meu prazer






PORTOPOESIA 2


Data: 06 a 12 de Outubro/ 08

Hora: das 10h às 22h

Local: Shopping Total

Av. Cristóvão Colombo, 545

Porto Alegre/ RS

06 outubro, 2008

A maldição do "Scroll Lock"



Com certeza você que passa algumas horas em frente ao computador já deu aquela olhadinha básica para aquela tecla ali entre o print screen e o pause break.

Não?

Claro que já!

Falo da inesquecível Scroll Lock.

E ao olhá-la deve ter se perguntado: qual a função dessa porcaria?

Não?

Claro que já!

E qual a resposta?

O quê? Ninguém te respondeu? Por Nossa Sra das Teclas Inúteis!!! Isso não pode ficar assim!

Era de se esperar que nada fosse dito, elucidado ou explicado, pois esta, aparentemente, inofensiva tecla foi desenvolvida por uma seita milenar e esconde muitos segredos junto com suas funções. Existem rumores do que pode ter acontecido ao se pressionar o scroll lock em determinadas situações.

Dizem que se por um acaso você estiver com seu Google Earth aberto e pressionar o scroll lock, dependendo da quantidade de vezes que fizer isso, você saberá a localização de pessoas aparentemente “perdidas”, tais como:

1- Adolf Hitler
2- Elvis Presley
3- Ulisses Guimarães
4- Padre dos balões

Não se sabe o número certo de vezes que a tecla tem que ser pressionada, mas aqueles que conseguiram juram que é verdade e que todos estão vivos, inclusive que Hitler casou-se com uma mulata.

Também foi comentado que pressionando a tecla 666 vezes seguidas em um intervalo de 666 milésimos de segundo entre as tecladas, quando estiver com seu inbox aberto, você receberá um e-mail do diabo, com assinatura e tudo.

Caso o intervalo de 666 milésimos de segundo entre as tecladas não seja obedecido, no máximo ele vai lhe enviar um convite para ser seu amigo no Orkut. Nem pense em MSN, ele odeia isso.

Um político famoso de Brasília conferia seus lucros quando derrepente pressionou, sem querer, o scroll lock enquanto estava com o site de seu banco aberto e toda sua fortuna foi transferida para uma conta aleatória no paraíso fiscal mais próximo.

Por sorte (dele), a conta para onde a grana foi transferida também era sua. Ele usava para lavar dinheiro. Eles (os políticos) podem até ter a mãe na zona, afora isso são uns sujeitos sortudos.

Alguns torcedores de Vasco e Fluminense estão tentando uma seqüência de tecladas do scroll lock no site da CBF para ver se conseguem evitar o rebaixamento dos seus clubes.

Até agora só conseguiram que o Dunga convocasse o Jô.

Dizem que se todas as teclas scroll lock do mundo forem pressionadas ao mesmo tempo podem causar a destruição da Terra.

Mas fiquem tranqüilos, a ONG “Um mundo sem Scroll Lock” trabalha nisso dia e noite para evitar a catástrofe.

O mais absurdo de tudo é quando a tecla é pressionada juntamente com o Alt e o Ctrl.

Incrivelmente, nada acontece.


02 outubro, 2008

Domingo é dia de "sufragear"


Em tempos de eleição, vemos muitos discursos políticos em comícios. Eis um interessante:


"Eu, quando eleito, não vou somente prometer. Vou cumprir cada palavra dita, sobretudo as de compromisso com meus conterrâneos.
Quero assumir um compromisso com vocês, meus eleitores, de uma forma que não poderemos quebrar este elo antes de estar tudo nos eixos.
Que este elo entre mim e vocês, seja sólido, a ponto de estreitar nossas relações tanto políticas quanto pessoais.
O mesmo tratamento a vocês será dado quando forem à minha casa ou quando estiverem na câmara, cobrando seus direitos.
Povo. É isto que sou e sempre serei, pois não podemos negar nossas raízes, nossa proveniência.
Se um dia, qualquer um de vocês precisar de minha ajuda, seja para o que for, saibam que estarei sempre disposto a escutar e auxiliar, se estiver dentro do meu alcance.
Exploda sua indignação com a situação atual, assim como eu faço aqui diante de vocês, pedindo seu voto, não só na urna, mas o de confiança para podermos mudar essa situação calamitosa.
Não deixe que sua voz se cale diante de tanta injustiça. Ajudem-me a combater essa sujeira toda que passa impune diante de nossos olhos.
Ligarei cada infrator a seu crime e lutarei para que sejam punidos devidamente, lavando a honra de nosso povo.
Para que isso tudo seja possível, preciso que todos vocês estejam comigo nesta luta.
Saúde será a meta principal do nosso programa de governo, pois não há condições de continuar sobrevivendo à mercê de um sistema parco como este.
Nem que a minha vida esteja em jogo deixarei que isto continue.
Para que isto seja possível, mais uma vez repito, ajudem-me. Preciso de todos vocês comigo. Só assim será possível combater esta sujeira.
Educação também é uma necessidade urgente e por isso temos um projeto que entrará em vigor assim que eleito, corrigindo as falhas que vêm sido cometidas em gestões passadas.
Minha intenção é deixar tudo em ordem nesses próximos quatro anos. Sabemos que é muito difícil, porém se não começarmos já, cada vez mais será postergado até ser impossível contornar.
Meta maior do nosso mandato é essa. Fazer em quatro anos muito mais que os outros fizeram em oito ou até mesmo doze.
É difícil, sabemos disso tudo, porém ao iniciarmos verão que é possível e com a ajuda de todos será ainda mais rápido dar a volta por cima.
Enriquecer a alimentação do povo é um sonho possível, porém para isso precisamos de um trabalho focado nas bases econômicas, cujo projeto também temos para pronta iniciação.
As áreas culturais e esportivas também serão devidamente incentivadas, concatenadas aos estabelecimentos educacionais.
Custas serão reavaliadas, sobretudo os impostos.
Do povo só pedimos o apoio. E paciência nos primeiros meses, pois faremos tudo para que a situação seja resolvida.
Dinheiro não traz felicidade. E foi dizendo isso que não fui a favor do aumento dos salários dos parlamentares.
Público sim, e nada, além disso, tenho de incomum com aqueles que dizem que governam nosso país de maneira ignóbil. Conto com seu apoio no dia cinco de outubro."


******************


Caso você não tenha percebido há uma mensagem subliminar neste discurso. Leia somente a primeira palavra de cada parágrafo de cima para baixo (estão em negrito) que verá as reais intenções do candidato em questão.



Tenha cuidado, neste domingo vote naquele que vá lhe trazer menos prejuízos.


30 setembro, 2008

Desacordo ortográfico

Choram as paroxítonas acentuadas pela perda de entes queridos.
O alfabeto abre seus braços e recebe mais três integrantes.
O trema, coitado, foi exterminado, como se nada representasse.
O hífen ainda está tonto, pois não sabe mais onde se coloca.
Sobrou até para o indefeso apóstrofo.
Como ironia de um destino tragicômico, o atestado de óbito da nossa língua foi assinado na casa de um dos maiores defensores da nossa língua, por um presidente que mal sabe tudo isso que foi supracitado.
Machado de Assis revira-se na cova. E nós, continuamos a mercê de violências como essa.

26 setembro, 2008

O ABC do Gre-Nal

Domingo, aqui no RS, é dia do maior clássico de todos os tempos e, inevitavelmente, lembramos de alguns pontos que são presenças certas na peleia. Resolvi organizar em ordem alfabética para facilitar. Vejam:





A de Ânimo
O ânimo é o diferencial deste clássico, pois sem ele não teríamos o espetáculo. Não veremos um dos dois times entrarem em um clássico desanimado. Nunca;

B de Bastidores
O Gre-Nal começa a ser jogado lá nos bastidores, quando uma semana antes é anunciado. Geralmente, são os dirigentes que polemizam, deixando os jogadores como coadjuvantes;

C de Confusão
Não há Gre-Nal sem uma confusãozinha sequer. Dentro, fora de campo ou até mesmo na torcida, sendo antes ou depois do clássico;

D de Disputa
Há muita disputa dentro e fora das quatro linhas. Os dirigentes com suas frases de impacto e os jogadores com suas atuações;

E de Escalação
São nelas que estão aqueles que vão nos proporcionar a emoção de mais um clássico. Podem vir com os times tradicionais ou com algumas surpresas, causando o chamado “nó tático”;

F de Faltas
A pegada, a força, a garra, a rivalidade habituais causam um jogo de muitas faltas. Apesar das muitas infrações, geralmente não é um jogo violento;

G de Gols
Geralmente não saem muitos, porém esses poucos sempre são lembrados devido à importância ou polêmica;

H de História
A história do clássico sempre é trazida a tona quando este se avizinha. Usa-se e abusa-se dos números e das estatísticas também a fim de adivinhar o que acontecerá no que está prestes a ser jogado;

I de Imprensa
O clássico não teria essa fama toda e nem haveria tantas repercussões se não fosse a imprensa com sua cobertura constante e suas notícias bombásticas. De acordo com os boleiros, é ela a responsável por determinar os heróis e vilões da peleia;

J de Jogadores
Os astros do espetáculo. São neles que depositamos todas as esperanças naqueles 90 minutos de pura adrenalina;

L de Local
O estádio é um fator determinante para onde gangorra penderá, influindo diretamente nas torcidas;

M de Marcação
Inegavelmente, é um jogo atípico, sobretudo na marcação. Não se pode afrouxar um segundo, passível de sofrer um gol fatídico;

N de Nervosismo
Está sempre presente de ambos os lados, contudo é preciso eliminá-lo para que não seja comprometida a desenvoltura do espetáculo. É necessário deixar todo e qualquer sintoma de nervosismo para a torcida;

O de Orgulho
Vestir a camisa de qualquer dos dois times é motivo de muito orgulho para qualquer jogador, devido aos muitos títulos importantes que somados chegam a 18, entre nacionais e internacionais;

P de Paciência
Tal qual um jogo de xadrez, o Gre-Nal é uma partida de paciência. De nada adianta jogar-se afoitamente para o ataque, pois pode ser surpreendido por contra-ataques mortais;

Q de Qualidade
Embora seja um jogo viril, o Gre-Nal não deixa de ser uma bela partida de qualidade com lances plásticos, jogadas de efeito e bonitos gols;

R de Raça
Durante os 90 minutos do clássico é preciso haver raça por ser um jogo de muita marcação, ânimo e disputas. Há quem diga que os jogadores muito “faceiros” não figuram em Gre-nais.

S de Surpresas
Geralmente vêm nas escalações dos times, na tentativa de confundirem o técnico adversário. Quase sempre são vistas com improvisações de jogadores, lançamentos de pratas da casa, mudanças de esquema ou estréias inesperadas;

T de Torcidas
Essas sim dão um espetáculo à parte, sobretudo a do mandante que em maior número engole a do rival. Contudo, quando o adversário está em vantagem a pequena torcida visitante parece multiplicar-se;

U de Único
Com todo respeito aos outros, o Gre-Nal é incomparável e sem dúvidas é o melhor clássico do mundo;

V de Vitória
Não há nada mais regozijante do que ganhar um Gre-Nal. Aquela sensação de superioridade perante o rival é extremamente satisfatória;

X de Xodó
O Gre-Nal é um eterno fabricante de xodós de torcida. É só fazer o gol da vitória, jogar com toda a raça que cairá nas graças eternas daqueles que gritam fervorosamente nas arquibancadas;

Z de Zebra
Apesar de nunca ter um favorito declarado, existe a zebra do clássico, sendo geralmente aquele com o time tecnicamente inferior ou pior classificado no campeonato. Há quem diga que a vitória da “zebra” arruma a casa e pode virar a gangorra.






Assim como nos outros 372 clássicos, estamos mais do que preparados para tudo isto.



E que vença o melhor!

16 setembro, 2008

Da série "Palavras que você sempre quis saber, mas nunca teve coragem (saco) de procurar no dicionário"





Não é de hoje que externo e brado aos quatro ventos o meu amor incondicional à Língua Portuguesa, pois só ela (sem desmerecimento a outras línguas) é capaz dessa metamorfose onde em uma única frase estamos dizendo uma coisa quando parecemos dizer outra.
Existem palavras, nas quais nunca depositamos uma vez sequer os olhos e quando a vemos ficamos, inevitavelmente, boquiabertos, estupefatos, devido à diversidade de sinônimos e/ou palavras adormecidas, que nos fazem pensar: "Onde diabos eu estava quando deram essa porra de aula?".
Com mais de 356 mil unidades lexicais, é perfeitamente normal desconhecermos "algumas".
Diante desta magia que nos hipnotiza é que estréio aqui (o blog é meu mesmo e estréio o que eu quiser) uma nova série de posts sobre a "A última flor do Lácio": “Palavras que você sempre quis saber, mas nunca teve coragem (saco) de procurar no dicionário”.
Vamos a elas:


EXEGETA: s.m. e s.f. Pessoa que se dedica à exegese. (vai procurar o que é EXEGESE, oras!)


ESPÚRIO: adj. A que falta legitimidade; bastardo; não genuíno. / Fig. Falsificado; adulterado.


GLABRO: adj. Sem barba, imberbe: jovem glabro. / Botânica. Diz-se dos órgãos vegetais desprovidos de pêlos.



PÉRFIDO: adj. Desleal, que falta à fé jurada; traidor, infiel, desleal.



ELUCUBRAÇÃO: s.f. Penoso ou prolongado trabalho intelectual feito à noite; meditação, divagação. O mesmo que lucubração. / — S.f. pl. Pesquisas longas e pacientes: entregar ao público o resultado de suas elucubrações.






Fascinante né???


Ainda faço-lhes uma frase e com sentido!



"O exegeta glabro foi pérfido ao fazer uma elucubração espúria."


Até a próxima!!

10 setembro, 2008

Os 10 menos da película tupiniquim

Deu trabalho, mas tá aí os 10 filmes (ou o que quer que sejam) que não deveriam ter sido feitos, filmados, produzidos ou sequer pensados, aqui no Brasil.
Há quem vá dizer que estou desfazendo do cinema nacional, mas muito pelo contrário, sou um admirador deste, porém das coisas apreciáveis.
Não pude colocar em questão os filmes da Xuxa e os do Didi sem os outros trapalhões, pois senão seria desleal.
Enfim, chega de blábláblá e apreciem as pérolas.



10º Lugar - Acquaria


Sandy e Júnior separaram-se, porém antes nos deixaram esse infeliz legado. Lamentável.
Pelo menos esse longa serviu para algo: Já sabíamos que o Júnior não era cantor e agora sabemos que também não é ator. Uma hora ele descobre a vocação.



9º Lugar - Zoando na TV



Mais um da série “ apresentadores que se acham atores”. E, pra variar, péssimo como todos os outros.
Somos eternamente gratos ao Luciano Huck, que deu dois filhos para a Angélica ter o que fazer e desistir dessa história de ser atriz.



Se Chico Mendes fosse vivo, morreria ao ver isso.
E, pasmem! Ainda teve o 2!!! Afff



Se há uma coisa que a Eliana soube aproveitar em seu noivado com Roberto Justus foi a grana que ele deve ter investido e comprado os produtores dessa piada que é “O segredo dos golfinhos”.
Se não dava para suportar ela cantando “os dedinhos”, imagina após ver essa jóia?
Definitivamente Eliana, você está “demitida”!!


6º Lugar - Menino Maluquinho

Aqueles que leram o gibi do Menino Maluquinho, dentre os quais me incluo, vomitaram antes do 10º minuto do filme.
O Ziraldo deve ter ganho uma grana preta para deixar que estragassem seu trabalho dessa forma.
Obs:. E ainda teve o 2. psssssssss



5º Lugar - Fuscão Preto
“Me disseram que ela foi vista com outro
Num fuscão preto pela cidade a rodar
Bem vestida igual à dama da noite
Cheirando a álcool e fumando sem parar
Meu Deus do céu, diga que isso é mentira
Se for verdade esclareça por favor
Daí a pouco eu mesmo vi o fuscão
E os dois juntos se desmanchando em amor
Fuscão preto você é feito de aço
Fez o meu peito em pedaços
Também aprender a matar
Fuscão preto com o seu ronco maldito
Meu castelo tão bonito
Você fez desmoronar”

O filme é baseado na música. Não preciso dizer mais nada, né?




Se no show de calouros do Silvio Santos não dava certo, imaginem fazendo cinema. Pois é, Elke Maravilha e Pedro de Lara cometeram essa heresia.
Que ficassem na Rússia e no elo perdido, respectivamente.


3º Lugar - Uma aventura do Zico



Quando o zagueiro do Bangu, Márcio Nunes, deu aquele carrinho no joelho do Zico, deveria ter acertado a sua boca, assim não teríamos a infelicidade de ver esta ignomínia e, ainda por cima, seríamos Hexa, pois ele não perderia dois pênaltis contra a França em 86.


Duas das coisas mais ridículas que esse país já produziu, juntaram forças e protagonizaram essa pérola.
Se você não teve o desprazer de ver, não o faça, todavia imagine a riqueza dos textos para a película, pois o Faustão fala nada mais, nada menos que 2.538 “ô loco meu” e o Sérgio Mallandro arrasa com o seu imortal “ié iééééé´”.
Sobrou até uma pontinha pro Wando.


1º Lugar - Cinderela Baiana

Se quando olhássemos um verbete no dicionário fosse possível ter uma ilustração ao lado referindo-se a ele, com certeza o “bunda” teria a foto de Carla Perez, bom, pelo menos na época em que foi lançada essa coisa que alguns chamam de filme, intitulado “Cinderela Baiana”. A dona do "I de Iscola" deveria ter ficado só mostrando o Tchan e não nos agredir a retina com essa jóia rara. E, como se ela própria não bastasse, ainda teve a participação do cantor Alexandre Pires, então namorado da abundante aspirante a atriz. É de matar.
No também péssimo filme “Ó paí ó”, podemos ver Lázaro Ramos demostrando resquícios de ter atuado no filme da loira do Tchan, que, sem sombra de dúvidas, é o supra-sumo da ridicularidade das telas nacionais.
Obs:. Claro, hoje em dia, o verbete supracitado teria a foto da Mulher Melancia.

Cometi alguma injustiça?
Esqueci de algum?
Mande seus comentários ou faça a sua lista!!
*****
Ps: Tive que deixar de fora pérolas como: A dama do lotação, Doida demais, Ele o boto, Uma Escola Atrapalhada, Ópera do Malandro, Popstar, Sonho de Verão, O Xangô de Baker Street , entre outros!!!

09 setembro, 2008

Natasha


Tinha nome de vodka e corpo de Vênus de Milo.

- Natasha.

Assim, simples assim, foi como ela se apresentou, esticando a mão e abrindo o sorriso que fez parar o tempo.

-Téo. – replicou Teobaldo.

Não ia dizer que seu nome era Teobaldo, em hipótese alguma para uma escultura daquelas.

Enquanto ela abria o sorriso com os dentes mais brancos que já vira, imaginou de quantas formas possíveis poderia “bebê-la”. Inúmeras.

Era o oitavo pecado capital. Gula, Preguiça, Luxúria, Vaidade, Avareza, Soberba, Ira e Natasha.

Bendito seja o Armando, que a conduziu pela sala inteira de seu apartamento fazendo as apresentações de praxe. E assim ela ia, de um em um, causando embasbacamento nos homens e inveja mortal nas mulheres. Com um pretinho básico tão colado que ora poderia ser confundido com a própria epiderme da moça. E o rebolado?? Ah que rebolado! Era melhor que ver gol do time do coração.

Era a nova estagiária do Armando, aquele velho lobo da noite, tentando aprontar das suas novamente. Depois do escândalo com a última estagiária com menos de 25 anos, pivô de seu divórcio, o velho Armandinho, como era chamado por todos, tinha deixado de lado essa história de contratar meninas para os cargos de proximidade na empresa.

Nos happy hours que aconteciam frequentemente no Ap. do Armandinho, sempre na primeira sexta-feira de mês, já tinham o pessoal confirmado, os que sempre iam, porém naquele dia o Teobaldo, que nunca ia, resolvera ir. Ficou num canto, meio deslocado, afastado para ser mais exato. Estava olhando através da janela quando ouviu aquela voz aveludada vindo por de trás de seu ombro direito:

- Amei seu perfume. Qual é o nome?

Era Natasha e estava sem o Armandinho a tiracolo.

A pergunta fora simples, comprava sempre o mesmo perfume, seria fácil dizer o nome, mas dessa vez fora como se tivessem perguntado o número atômico do Molibdênio numa prova oral de química. O nome...como era mesmo?? Não podia desapontar aquele monumento de forma alguma. Mudou de assunto rapidamente.

Teobaldo tentava concentrar-se na conversa, mas só conseguia imaginar o corpo rijo e perfeito por baixo daquele vestido e nos gestos que ela fazia quando sorria, jogando o cabelo para trás ou passando levemente a língua na borda do copo, enquanto prestava a atenção em alguma explicação filosófica.

O papo já se estendia e o Armandinho foi disparando olhares cada vez mais penetrantes para o Teobaldo. Quase que inevitável pensar na segunda-feira a carta de demissão em cima de sua mesa. Ah! Que se dane!! Natasha valia uma demissão! E como valia! Emprego encontra-se aos montes, mulheres como Natasha era uma em um milhão e estava ali no maior flerte com ele, Teobaldo, que nunca fora um Casanova.

Teobaldo estava se sentindo o máximo, mais olhado que capítulo final de novela das oito.

Apesar de todos os homens da reunião a tirarem para dançar, ela sempre voltava para a companhia do Teobaldo e isso foi deixando-o mais confiante, já até ensaiava umas piadas.

Estavam numa intimidade incrível. Ela, quando gargalhava, jogava-se para frente quase se abraçando no excitadíssimo Teobaldo.

Sentaram-se num sofá bem aconchegante numa parte penumbra do ap e rodaram por vários assuntos até chegar no “família”. Teobaldo, já com a mão sobre a perna da moça, próximo, bem próximo dela, inocentemente, perguntou se ela tinha mais irmãos, aqueles assuntos para não deixar a conversa morrer, sabe? Ela prontamente respondeu que tinha mais uma irmã e dois irmãos, contando nos dedinhos daquela mãozinha que foi feita para não fazer absolutamente nada. Perfeita. Lisinha. Emendou já dizendo os nomes: Jonnie Walker, Jack Daniels e Walesa. Teobaldo, querendo ser engraçado, disse que o pai dela só podia ser o Velho barreiro. Soltando uma gargalhada estrondosa, por ter achado uma piada, além de oportuna, engraçada mesmo. Não foi acompanhado pela moça na gargalhada que se levantou com lágrimas nos olhos, falou algo no ouvido do Armandinho e saiu correndo do Ap.

Na segunda-feira, nada de Natasha.

Tempos depois, Teobaldo ficou sabendo que o pai dela era alcoólatra e morrera de cirrose hepática.

Desde então sempre quando há happy hours no ap do Armandinho o Teobaldo toma um porre de vodka. Advinha qual?

04 setembro, 2008

Eu sei o que vocês fizeram na olimpíada passada

Vai começar mais um filme de terror, protagonizado pelo Dunga e o escrete canarinho. É até uma heresia referir-me a esta seleção de hoje com tal alcunha, tão honrada e exaltada pelos times de 58, 62 e 70, porém prefiro assim a chamá-los de amarelões. Ainda não os definirei desta forma, pois para os amarelos ainda há o verde da esperança e para que isto também não pereça, alguns personagens de histórias infantis têm que deixar a Granja Comari.
Saída esta que foi pedida há alguns anos, mais precisamente em 1990, naquela fatídica partida em que o Maradona desfilou por entre o time inteiro do Brasil, sobretudo ao lado do Dunga, e a defesa deixou aquela loira de cabelos esvoaçantes passar, na esperança de olharem a bunda dela, e entrar com bola e tudo, sim falo do Caniggia, aquele que mais parecia a cruza do Axel Rose com o Mirandinha.
Ele, o Capitão Dunga, redimiu-se em 1994, naquela seleção retranqueira do Parreira, quando bateu um pênalti e levantou a taça (na pior de todas as copas que já assisti). Toda a nação pensou: Pronto! Agora ele sai com saldo zero.
Mas não, o maior discípulo de Sebastião Lazaroni estaria de volta, para comandar a seleção. Era demais para os 180 milhões de técnicos. Mas como brasileiro é um povo esperançoso, um voto de confiança foi dado.
Até agora, só papelão.
E domingo à noite, é contra o Chile. Uma batalha.
Sinto-me envergonhado em dizer isso.
Pois vejam vocês, há algum tempo atrás este post não seria necessário, pois a seleção patrolaria, esmagaria, delaceraria os chilenos, sem o menor esforço. E isto tem lá suas razões, pois quando eu era criança ao olhar o mapa, achava o Chile tão estreito que poderia atravessá-lo com meia dúzia de passos e que não tinha espaço para duas pessoas andarem lado a lado que uma delas cairia no Pacífico, muito menos para campos de futebol. E hoje, estou com medo da seleção de futebol do país do Pinochet.
Brasileiros, levantemos as mãos para o céu que o Ivan Zamorano não joga mais.
E como diria, e, infelizmente, ainda diz o Galvão Bueno: Haaaaaaaaaja Coração!!